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O património desta terra.
Sabe mais sobre a nossa história!

O património desta terra.


A Quinta da Fonte Frade é um espaço natural em plena serra do Caramulo, no lugar do Paúl, da Freguesia de S. João do Monte, a oeste do Caramulo na vertente oceânica, onde outrora viveu um Frade que após a lei de 30 de Maio de 1834, pela qual se declaravam extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios, e quaisquer outras casas das ordens religiosas regulares, sendo os seus bens secularizados e incorporados na Fazenda Nacional, valendo a Joaquim António de Aguiar a alcunha de o Mata-Frades.

É uma zona de montanha de origem granítica a Norte e xistosa a Sul. A carqueja o medronheiro os carvalhos ibéricos os verdes campos naturais, predominam a sua flora. A fauna é rica sobretudo em aves em vias de extinção, sendo povoado pela salamandra e o sardão verde.

A zona envolvente é povoada por aldeias com casas e espigueiros em granito típicos desta região. Tendo sido esta zona povoada desde a pré-história até aos romanos e celtas, ainda se podem encontrar alguns vestígios dessa época, como antas, trilhos de pedra, pontes, aquedutos, pontões e cemitérios celtas. Tem também uma vasta riqueza de alminhas e cruzes, sendo o mais notável a via sacra da Abóboda.

As capelas seculares também evidenciam as mais lindas histórias de crença e amor. O maior destaque vai para a Sra do Livramento padroeira da aldeia de Belazeima. Conta o povo, que um senhor ermitão destas terras, quis casar com a prima direita, tendo para isso, ido a Roma ao Vaticano pedir a autorização Papal. No regresso o barco ficou á deriva em alto mar. Então, o ermitão, em agradecimento á nossa Senhora do Livramento mandou construir uma capela por chegar a bom porto e de onde se vissem as águas do mar. E assim foi, hoje continuamos a viver a história ao mesmo tempo que contemplamos toda a orla marítima por vários quilómetros.

O ERMITÃO (Sra. Livramento)


No dia 30 de Setembro de 1746, o bispo de Viseu, D. Júlio de Oliveira, que andava visitando as freguesias da sua diocese, ministrava o crisma na matriz de Espírito Santo de Arca, ao tempo do concelho de S. João do Monte e hoje de Oliveira de Frades.Havia largos anos que os tão afastados povos sumidos na encosta poente da Serra do Caramulo, não aportava um Prelado.

Foi um verdadeiro acontecimento na região, acorreram fiéis, presunssurosos, não só pela curiosidade de verem o seu Bispo, que para a maioria daquela rude gente constituía uma espécie de semi-deus, mas também para receberem o Crisma, Sacramento que ninguém se gabava de haver recebido por aquelas redondezas, a não ser algum cura ou abade, quando frequentara o Seminário.

A pequena Igreja regurgitava de povo, e em frente da porta principal, da porta travessa e da sacristia, aglomerava-se enorme multidão.

Dentre todos, tanto ou mais que o próprio Bispo, despertava a curiosidade um homem de longas e encarnecidas barbas, estatura mais que regular, faces cavadas, olhar sumido e triste, cabeça descaída sobre o avantajado peito. Vestia um comprido roupão de burel. Aparentava sessenta bem puxados anos, sendo certo que não havia ultrapassado os cinquenta e dois, pois nascera no lugar das Benfeitas, freguesia de Destriz, concelho actual de Oliveira de Frades, aí pelo ano de 1694 ou 1695.

Devia ter possuído uma forte musculatura, pois apesar das privações, fundos desgostos e penosos trabalhos que passara, o seu arcaboiço denotava uma rija construção.

Plácido Francisco (assim se chamava, e com este nome figurou naquele dia, no livro dos assentos paroquiais).

O Ermitão assim se chamava Plácido Francisco filho de nobre família abastada da zona. Certo dia conheceu sua prima direita, bela de pele morena olhos verdes peitos salientes e cabelo castanho por quem se apaixonou.

Laura, assim se chamava a prima que só mais tarde se apercebeu da paixão do primo e daí até ao romance foi um salto. A família a todo o custo tentava evitar os seus encontros amorosos. Assim a alegre priminha começou a ficar triste pelo desagrado familiar e tornou-se uma rapariga frágil e doente.

Por seu lado Plácido tentava a todo o custo uma bula para levantar a esconjura do parentesco tão próximo com a prima.

Como o processo tardava, resolveu ir e Roma ao Papa.

No regresso o galeão que o transportava foi assolado por duas tempestades pondo-o á deriva em pleno oceano.

Ao fim de dois meses e sem mantimentos e depois de tanto pedir a nossa Senhora do Livramento deu á costa de Aveiro.

Quando chegou a terra logo soube que a Laurinha tinha falecido por tristeza de não ver o seu amado.

Então Plácido tornou-se Ermitão junto da capela que mandou construir na serra do Caramulo de onde se vissem as águas do mar.

Quando veio a velhice mandou construir um tumulo de uma só peça de granito que não chegou a usar mas que se encontra em Matadegas aldeia do foral de D. Afonso Henrriques que ofereceu a seu aio Egas Moniz.

Veio a falecer nos Carvalhos perto do Porto.

Retirado do livro: O Ermitão